| Fonte: Google, 2015. |
Embora pensemos a biotecnologia como uma tecnologia recente, sua origem pode ter ocorrido há mais de seis mil anos, a partir dos relatos de que os micro-organismos eram usados nos processos fermentativos para produção da cerveja e do pão. “No entanto, as bases fundamentais da biotecnologia agrícola consideram a biologia molecular e as técnicas relacionadas como os eventos mais importantes da história da biotecnologia” (CARRER; BARBOSA; RAMIRO, p. 149). Assim conclui-se que essa relação entre biotecnologia meio ambiente e desenvolvimento sustentável não é recente, apesar do termo sustentabilidade não ser tão antigo quanto à aplicação da biotecnologia. O termo sustentabilidade aplicado à causa ambiental surgiu como um conceito tangível na década de 1980 por Lester Brown, que foi o fundador do Wordwatch Institute.
A definição que acabou se tornando um padrão
seguido mundialmente com algumas pequenas variações representa o seguinte:
Diz-se que uma comunidade é sustentável quando satisfaz plenamente suas necessidades
de forma a preservar as condições para que as gerações futuras também o façam.
Da mesma forma, as atividades processadas por agrupamentos humanos não podem
interferir prejudicialmente nos ciclos de renovação da natureza e nem destruir
esses recursos de forma a privar as gerações futuras de sua assistência. É uma
das funções da biotecnologia é garante condições para um desenvolvimento
sustentável por meio de técnicas biológicas inovadoras, que visa o melhoramento
da genética dos alimentos contribuindo para um desenvolvimento menos agressivo
ao meio ambiente. A assembleia Geral das Nações Unidas de 1972, escolheu o dia
5 de junho, para comemorar o dia do meio ambiente. Com o principal objetivo de
fomentar a adoção de práticas sustentáveis para a preservação do meio ambiente,
e a biotecnologia já contribuiu muito nesse processo e por meio dos seus
estudos pode contribuir ainda mais.
A inserção
da biotecnologia no setor primário já está promovendo o uso eficiente de
recursos naturais, como o exemplo da água que na agricultura
o consumo é aproximadamente 71% do consumo de água em todo o planeta (o
equivalente a 3,1 bilhões de m³). Por meio do cultivo de plantas geneticamente
modificadas (GM) tolerantes a reagentes químicos racionalizando a água usada
para as pulverizações. Segundo o
levantamento da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM) e da Céleres Ambiental
revela que, entre os anos de 2010 e 2020, o uso dessas variedades na
agricultura brasileira poderá economizar aproximadamente 134 bilhões de litros
de água – quantidade suficiente para abastecer Recife e Porto Alegre por um
ano. Sustentabilidade é isso poder produzir sem degradar os recursos naturais,
e por meio de técnicas desenvolvidas pela biotecnologia essa prática de
produção sem agredir o ambiente vem sendo desenvolvida. Outro exemplo positivo
dos avanços tecnológicos na área do desenvolvimento foi adoção dos transgênicos
na agricultura, contribuindo para a redução da emissão
de CO2 na atmosfera.
Isso acontece porque, como as lavouras GM tem manejo facilitado, há menos
necessidade do uso das máquinas agrícolas, reduzindo, assim, o uso de
combustível responsável pela liberação do CO2. Adicionalmente, há o
benefício associado da preservação do solo que é menos compactado por esse
maquinário. Com isso as vantagens agronômicas que as sementes
transgênicas oferecem resultam em menos perdas em razão de plantas invasoras ou
ataques de insetos, e isso significa aumento de produtividade por área
plantada. Associado a essa vantagem citada anteriormente temos a questão da
diminuição das áreas desmatadas para aumento das plantações. Em última análise,
a biotecnologia reduz a pressão por novas áreas agricultáveis, preservando,
dessa maneira, também as florestas e vegetações nativas que sequestram carbono
e mitigam os efeitos do aquecimento global.
Além
da contribuição da biotecnologia na área da produção de alimentos, evitando
assim o desperdício de recursos naturais como água, o desgaste do solo e o
desmatamento, ela buscar por meio de novos estudos que estão sendo realizados
na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tem como objetivo
identificar os genes que fazem com que algumas plantas absorvam metais pesados
em grande quantidade. Uma vez desvendado esse mecanismo genético, a
biotecnologia poderia contribuir, por exemplo, superexpressando esse(s)
gene(s). O resultado seria o desenvolvimento de variedades transgênicas não
comestíveis com alta capacidade de absorção, utilizadas para recuperação de
solos e águas contaminadas com metais pesados. Nesse caso seria tecnologia a
serviço da recuperação de ambientes degradados e que não apresentavam mais
utilidade, que por meio desse processo voltariam ao seu estado natural. Outro grande problema enfrentado pela
agricultura brasileira é conciliar a produção com a questão da escassez dos
recursos hídricos, principalmente na região do nordeste no país, onde devido as
mudanças climáticas a produção é comprometida. Uma alternativa apresentada pela
engenharia genética que faz parte da biotecnologia seria a substituição das
plantações nativas por outras plantas, que estão em fase de estudo são
variedades geneticamente modificadas para serem resistentes à seca. Empresas
públicas e privadas do Brasil e do mundo estão desenvolvendo, por exemplo,
canas-de-açúcar, sojas e trigos que tolerariam melhor a escassez de água do que
suas versões convencionais. Isso representaria não só a economia desse recurso
natural como permitiria a agricultura em solos que hoje sofrem com a falta de
chuvas ou reduzido acesso a outras fontes de recursos hídricos. Mais uma vez,
as florestas seriam preservadas.
Biotecnologia
promove sustentabilidade na agricultura, pois segundo o engenheiro agrônomo e
professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Marcelo
Gravina, a combinação de tecnologias contribuiu para esse desempenho. “A integração
entre biotecnologia, genética clássica, uso de defensivos químicos e outras
técnicas agrícolas é uma alternativa para melhorar ainda mais a relação entre a
agricultura e a sustentabilidade”, defende.
As colocações do professor e engenheiro agrônomo Gravina são
justificadas pelos seguintes dados: A agricultura brasileira está entre as mais
modernas e produtivas do mundo. Nos últimos 20 anos, o volume da produção
brasileira cresceu mais que 100% enquanto a área plantada aumentou apenas 25%.
Esse resultado aponta para uma relação mais sustentável entre agricultura e
meio ambiente. Durante as entrevista concedida ao Conselho de Informações sobre
Biotecnologia (CIB), o professor Marcelo Gravina esclareceu em detalhes como
ocorre à diminuição do uso de herbicidas e inseticidas quando usados em
associação às plantas geneticamente modificadas, além disso, comentou sobre a
segurança dos alimentos geneticamente modificados (OGM). Durante a entrevista
foi questionado sobre estudos e pesquisas que
comprovem os benefícios da biotecnologia. O professor Marcelo Gravania
apresentou a seguinte afirmação: Com certeza. Por exemplo, a redução no uso de
ingrediente ativo no período de 1996/97 a 2009/10, nas lavouras com culturas
transgênicas no Brasil, foi de 9,6 mil toneladas, segundo levantamento da
elaborado pela consultoria Céleres (2011). Para as safras de 2008/09 e 2009/10
essas reduções foram de 1,3 mil toneladas e 2,7 mil toneladas, respectivamente.
Mais da metade da diminuição de uso de princípios ativos em lavouras
transgênicas na safra de 2009/10 se deu na cultura do milho. Por fim, segundo a
projeção da Céleres (2011), o uso de ingrediente ativo para o período de
2010/11 a 2019/20, consideradas as premissas de adoção de biotecnologia,
projetam uma redução no volume utilizado de 127 mil toneladas de ingrediente
ativo.
Schenber
(2010). Desde o Relatório Brundtland da Comissão Mundial sobre Meio ambiente e
desenvolvimento do Programa das nações unidas para o Meio ambiente (nações unidas,
1987) e reafirmados durante a Conferência das nações unidas sobre Meio ambiente
e desenvolvimento (Rio 92), no programa de ação da agenda 21(nações unidas,
1992) e, mais recentemente, nas Metas do Milênio, estabelecidas em 2000 (nações
unidas, 2000), identificaram como prioritária para o futuro da humanidade a
adoção de um novo paradigma de desenvolvimento, dito sustentável, de modo a
garantir o progresso e ao mesmo tempo a preservação do meio ambiente. Nesse
caso para alcançar as metas de desenvolvimento sustentável, é necessário o uso
racional dos recursos naturais, o que exigirá técnicas modernas. Entre as
tecnologias que apresentam potencial para contribuir para o desenvolvimento
sustentável, a biotecnologia tem muito a oferecer, especialmente nos campos da
produção de alimentos, geração de energia, prevenção da poluição ambiental e
biorremediação. E assim vem acontecendo novas técnicas agrícolas favorecendo um
desenvolvimento que não seja agressivo com o meio ambiente. Alguns avanços são
benéficos em diversas áreas, por exemplo, no campo da geração de energia
podemos destacar aumento da produtividade de etanol por meio do melhoramento
genético da levedura.
Atualmente,
os combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural) suprem aproximadamente
80% das necessidades mundiais de energia primária. A projeção que se faz,
porém, é de que a demanda mundial de energia aumente 49% até 2035, ao mesmo
tempo em que a produção de petróleo, embora seja um produto não renovável,
ainda tenda a aumentar nos próximos 25-30 anos (energy, 2010). É necessário
ressaltar o nível dos impactos causados pelo queima desses combustíveis fosseis
podendo até dobrar a quantidade de carbono na atmosfera. “De fato, o uso de
combustíveis fósseis é uma das principais causas de liberação de gases do
efeito estufa, principais responsáveis pelas mudanças climáticas que estamos
vivendo”. (SCHENBER, 2010, p. 7). Assim, a substituição da gasolina por biocombustíveis,
como o etanol, apresenta-se como uma solução biotecnológica para evitar futuros
problemas de carência de energia e de graves alterações ambientais (um
futuro..., 2010). Nesse exemplo pode-se verificar a influencia das tecnologias
associada a um desenvolvimento saudável que não afeta a qualidade de vida no
ambiente. Outro fato que podemos destacar é Prevenção da poluição ambiental: produção
de biopolímeros a partir de recursos renováveis Para
resolver a questão do lixo urbano e industrial, a substituição de plásticos de
origem petroquímica por plásticos produzidos por micro-organismos seria
altamente desejável, uma vez que os biopolímeros são materiais biocompatíveis e
totalmente biodegradáveis. Assim conclui-se que a biotecnologia é uma grande
parceira para um futuro promissor e sustentável, infelizmente para que esse
processo possa acontecer efetivamente faz-se necessário quebrar alguns tabus
com relação a credibilidade nos produtos geneticamente modificados por parte da
população que ainda rejeita esses produtos pelo fato do desconhecimento da
origem dos mesmo.
Referencias:
CARRER, Helaine; BARBOSA, André Luiz
and RAMIRO, Daniel Alves. Biotecnologia na agricultura. Estud. av. [online]. 2010, vol.24, n.70, pp.
149-164. ISSN 0103-4014.
SCHENBERG, Ana Clara
Guerrini. Biotecnologia e desenvolvimento sustentável. Estud. av. [online]. 2010, vol.24, n.70, pp. 07-17. ISSN 0103-4014.
BIOTECNOLOGIA E
MEIO AMBIENTE, UMA ASSOCIAÇÃO A FAVOR DA SUSTENTABILIDADE. Conselho de Informações sobre Biotecnologia, 05 jun. 2013. Em
dia com a Ciência. Disponível em:<http://cib.org.br/em-dia-com-a-ciencia/biotecnologia-e-meio-ambiente-uma-associacao-a-favor-da-sustentabilidade/> Acesso em: 19 nov. 2015.
BIOTECNOLOGIA
PROMOVE SUSTENTABILIDADE NA AGRICULTURA. Conselho de Informações sobre Biotecnologia,
04 abr. 2011. Entrevistas. Disponível em:<
http://cib.org.br/em-dia-com-a-ciencia/entrevistas/biotecnologia-promove-sustentabilidade-na-agricultura/> Acesso em: 19 nov. 2015.
ENERGY Information administration/International energy outlook 2010.
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